Solta no mundo | Marcia do Valle
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Mais uma para a filha

Nunca fui muito de ficar doente. Talvez por isso mesmo, quando ficava, eu sempre me assustava. Ficava com medo mesmo. E quando o medo era muito grande, a única pessoa que realmente conseguia me acalmar era meu avô Valle. Mas o tempo passou, avôs não são eternos, sou um das netas mais novas, e há 10 anos ele não está mais aqui. No seu parto, filha, eu tive muito, mas muito medo. Acho que a maioria das mães tem. E como era de se esperar, o que eu mais queria no mundo era que ele estivesse ali comigo. Talvez ele até tenha estado ali de alguma forma, não sei. Mas o tempo continuou passando e ele continuou não estando mais aqui, pelo menos fisicamente. Então, nesses dias, fiquei doente e fui para um hospital. Com medo, claro, porque sou medrosa mesmo. Mas para minha surpresa, descobri que o seu avô virou um vovô Valle também (se dependesse só do sobrenome, ele já poderia ser há séculos). Mas o seu avô, agora, também é uma presença calma, que me tranquiliza. Você não sabe, filha, mas ele era bem diferente quando eu tinha a sua idade. Talvez seja você que esteja ensinando ele a ser um vovô Valle. Acho que é sim. Então, além de te pedir o seu vovô Valle emprestado de vez em quando, como nessa vez que fui para o hospital, também queria te dar os parabéns. Aliás, para vocês dois. Porque ensinar e aprender a ser um vovô Valle não é para qualquer um não. Pelo contrário, esse é um dos títulos mais altos que alguém pode ter para mim. Te amo, filha, muito mesmo!



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Pior do que andar em círculo e voltar sempre para o mesmo lugar, é dar voltas e voltas e não conseguir mais voltar para o mesmo lugar.


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Vontade é coisa que dá e passa. Bem que saudade também podia ser assim...


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Uma amiga me perguntou, só de curiosidade, de que eu brincava com a minha filha. Vai que um dia ela tinha uma filha também, era bom saber. Então, na maior parte das vezes, a gente brinca de boneca. Talvez porque eu também gostasse de brincar de boneca, mas o fato é que me divirto brincando de boneca. Já o vovô, por exemplo, não brinca de boneca. Ultimamente, ele tem gostado de assistir filme ou jogar com ela no computador. Uma amiga minha que tem um filho, me contou que brinca muito de carrinho com o filho dela. Isso deve ser bem sem graça, mas é o tipo de coisa que você deve passar até a curtir quando vira mãe de um menino. Mas tem também as vezes que a gente joga algum jogo, tipo jogo da memória, e tem também as várias vezes em que ela brinca sozinha enquanto eu faço alguma outra coisa. Se bem que, cada vez mais, a pequena tem gostado de me ajudar a fazer estas coisas, em vez de ficar brincando sozinha. Outro dia, por exemplo, abri o varal de chão e, enquanto eu estendi uma máquina de lavar inteira no varal de teto, ela estendeu umas quatro ou cinco meias no varal de chão. E adorou. Às vezes, ela me ajuda a cozinhar e depois come tudo dizendo que a comida que ela fez ficou gostosa. Nossa especialidade é macarrão, mas uma vez a gente fez um bolo para levar numa festa junina e foi sucesso absoluto. Sem contar, nas vezes em que a gente passeia e brinca no parquinho ou em outros lugares onde tenha espaço para correr, jogar bola, andar de bicicleta, etc. Mas isso é hoje, que ela já cresceu. No início, eu simplesmente cuidava dela, e isso também era legal. Se ela conseguisse segurar num chocalho, pronto, já era motivo de festa. Aos poucos e bem devagarzinho é que ela foi aprendendo a brincar. Mas o que eu queria ter conseguido explicar para a minha amiga é que ninguém consegue ensinar ninguém o que fazer com o seu filho. Porque o próprio filho (ou filha) é que ensina a gente a ser mãe. Um pouquinho a cada dia. E aos poucos, a criança vai nos ensinando a ser mãe de uma criança um pouquinho maior. E isso é gostoso demais!


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Quando a gente está junto, eu curto. Milhões. E isso não traz nenhuma obrigatoriedade de acontecer nada depois que a gente se despedir. E se depois me der vontade de te ligar, ou te encontrar de novo, te ligo, te encontro e faço o que está me dando vontade de fazer naquela hora. Porque minhas vontades são assim mesmo, transbordam, então é melhor eu nem tentar reprimi-las. Mas se te ligo ou te encontro de novo, isso também não traz nenhum compromisso nem rótulo, é só uma vontade que virou realidade naquele momento. Eu sou assim, vivo um dia de cada vez, aproveitando cada coisinha que sinto em cada momento, sem medo de sentir, muito menos de demonstrar o que sinto. Então se deixo claro quando estou curtindo, também deixo claro o que não curto. Se você fala que não quer me usar, discordo desse ponto de vista, porque se duas pessoas estão curtindo junto é porque ninguém está usando ninguém. Se você deixa claro que só não me pede para ir para longe para não me magoar, tenho que te avisar que isso já me magoa. Mas se depois você pede desculpas, eu desculpo sim, na hora, e já me dá vontade de te encontrar de novo, sem novos desencontros. Então vamos descomplicar e fazer o que der vontade, quando der vontade, e deixar para pensar no depois, quando o depois chegar. Aquela vontade de ver o filme do Selton Melo, por exemplo, achei bem bacana, mas você falou tão baixinho e tão rápido que já notei logo várias paranóias atreladas a essa vontade. Vamos deixar as paranóias de lado e vamos curtir o que der vontade de curtir. Vamos aproveitar que “curtir” pode ser alguma coisa bem mais bacana do que uma tecla do facebook.


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